VOLÚPIA ENTREVISTA

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VOLÚPIA: O Gogos do Brasil é um dos poucos focados em gogo boys e strippers. Como surgiu a idéia do blog?
MARQUINHOS COSTA: Um amigo meu (Maximus Verga) havia criado o blog, mas estava sem tempo para postar e como sabia que eu era um apreciador do assunto (risos) me passou o blog.
VOLÚPIA: Vimos que houve uma reformulação editorial, com formação de equipe e novas sessões, porém, vocês não contam com patrocínio e espaços publicitários. A mudança foi buscando esse retorno financeiro?
MARQUINHOS COSTA: Você melhor que ninguém, sabe do tempo que ocupa fazer postagens diárias em um blog. E tem aqueles dias que você acorda sem vontade nem de levantar da cama e se não postar nada, já viu, o público cobra. Por isso reuni pessoas que também gostam do assunto gogo boys para ajudar e dessa forma agilizar as postagens e a comunicação com os leitores. Quanto ao patrocínio e publicidade se rolar vai ser bom, poderíamos usar os lucros com ensaios exclusivos, mas não visamos isso e não existe nada pior do que um blog cheio de propagandas, pesado e muito poluído visualmente. 
VOLÚPIA: Abordando um pouco o objeto de desejo do blog e de seus seguidores. Os gogoboys ainda fascinam e atraem o público?
MARQUINHOS COSTA: No passado já encantaram mais! Conheço uma balada na zona leste de SP que todos os gogo boys que dançam lá reclamam. O povo mal aplaude, mas é só entrar uma drag no palco, que o povo grita (risos). Isso também é culpa deles que muitas vezes parecem que foram enviados lá para cumprir pena alternativa(risos).
V: O que você acha dos frequentadores que reclamam da frieza e distanciamento dos gogos com o público?
MC: Como disse anteriormente e sempre falo disso no blog. Estão cobertos de razão, pois muitos gogo boys se acham a “azeitona do dry martini”. Esnobam mesmo e até agridem de forma verbal ou psicológica os frequentadores. Mas não adianta reclamar com os empresários! Tem de boicotar o estabelecimento! Seu dinheiro suas regras! Pagar para ser esnobado por gogo boy é o fim!
V: Na sua opinião, o que é define um bom gogo/stripper?
MC: Uma vez tive de definir o que era ser gogo boy em uma frase e fiquei feliz ao ver vários gogo boys colocando a mesma como foto de capa no Facebook:“Ser gogo boy é a arte de seduzir e encantar através da dança!” Pouquíssimos conseguem isso. Há os que dançam mal pra “kralho”, outros que esquecem do público e só interagem entre os outros gogo boys que estão no palco (duvidoso isso, rsrs) e há aqueles que se tiverem um espelho (como na Fragata) só dança para sua imagem refletida. E os strippers então, pelo amor, parece que estão tirando a roupa em casa pra tomar um banho. Nada de sensualidade, se enroscam com a sunga e por ai vai. Até hoje me lembro do gogo Victor Xavier. Achava ele feio, mas na hora de tirar a roupa, olhava nos olhos, fazia caras e bocas, enfim encantava, seu stripper era arte.
V: Qual o seu gogo preferido? Das antigas e do fase atual?
MC: Das antigas, Fabio Andrade, com seu mega talento, mas abandonou a carreira. Da atualidade tem um pouco conhecido ainda, o Lucas moreno, ele me encantou porque dança olhando nos olhos, seduzindo. Gostei tanto que estou trazendo ele para dançar no Bar Queen.
V: Sabemos que alguns gogos fazem “shows particulares”. Já foi agraciado por algum?
MC: A maioria, são raros os que não fazem. Mas a abordagem demora muito, tem de rolar vários patrocínios antes. Já fui pedido em namoro, casamento (risos). Mas tenho os pés no chão. Quando gosto do gogo, patrocino os shows. E é melhor não se envolver.

V: E quanto a cena gay em São Paulo? Qual a sua opinião?
MC: São Paulo já foi o antro da putaria, da ousadia. No entanto, nos últimos anos, o que vemos é uma mesmice que enjoa. Os shows se resumem a uma dancinha rápida com strippers mostrando a bunda e escondendo a neca. E quando o “show é bom” eles voltam mostrando por 10 segundos o pau roxo, estrangulado por um anel peniano improvisado com a base de uma camisinha.
As cidades pequenas estão muito mais ousadas. Sempre recebo fotos de gogos que aqui, mal ficam nus e lá dançam de pau duro deixando até serem tocados.
V: Quais locais gays você frequenta e indica? Acha que realmente somos bem tratados nesses ambientes?
MC: Em SP há 2 saunas conhecidas por seus garotos de plantão, ambas oferecem bons shows de gogo boys, mas uma cobra muito pelo que oferece e o público, incluindo os garotos, são bem metidos, andam como se fossem da realeza britânica. A outra já é mais popular, mas em ambas anda faltando o produto “boy”. Os que se salvam tem fila, ou seja: além de pagar o boy, tem de pegar senha. Ah faça-me o favor! Então prefiro os ditos “Show bar”. Gosto do Fama, sou muito bem recebido pelo dono Rey Neves e lá há um clima de caçada. No banheirão você encontra de tudo, mas é como garimpar. Vou também no Bar Queen, do Paulinho 80, desde que uma amiga, Maryana Mercury passou a dirigir, a casa tem trazido belos gogo boys que entram de Pão Duro no final de cada apresentação e acho o preço de ambos bem justo.
V: E quais sites e blogs quais você curte e recomenda?
MC: Nem preciso falar que sou fã de carteirinha do Volúpia, mesmo antes de ser blogueiro, já era visitante diário. Na verdade a coisa mais acertada foi manter o anonimato de Pietro Damasceno, dessa forma tem total liberdade em trazer à tona essas verdades que são ditas. Já recebi vários furos de reportagem noticiando gogo boy de caso com outro gogo boy, etc. Mas como publicar essa notícia durante o dia e noite olhar pra cara dos dois (risos). Gosto muito do blog Sonhos Obscenos.
V: Houve uma diminuição no preconceito de um modo geral, mas ao mesmo tempo aumentaram a violência e agressões contra gays. Você já passou por situações homofóbicas?
MC: Eu me considero um metrogay (risos). Não sou nenhum pouco afeminado e não dou pinta, mas sou assumido, no meu bairro, na minha família, com meus amigos. Todos sabem que sou gay, mas há algumas vezes que tenho de forçar uma desmunhecada para dar a entender o que quero. Já fui confundido por boys como sendo o segurança da sauna, pode? Ou quando descobrem que sou gay, acham que sou ativo. É o fim. Em virtude disso nunca fui agredido e se fosse partiria pra porrada sem medo (risos).
V: Em tempos de Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Marcos Feliciano, por que os gays ainda não votam em gays? 
MC: Ta aí algo que não dá pra entender. O voto é secreto, é só chegar lá na urna e votar nos gays que são candidatos. Mas acredito que mesmo entre os gays ainda reina a mentalidade que gay não sabe fazer outra coisa senão trepar. Gay não pode ser advogado, professor universitário, cientista, eles só sabem chupar e dar. Enquanto isso, a bancada pseudo-evangélica cresce! Pra foder de verdade com a vida da gente!
V: E na tv? O que você assiste e o que não gosta? 
MC: Tv aberta no Brasil é pra morrer. O jornalismo só traz tragédias e com o tempo essa exposição (minha crendice pessoal) te traz até câncer (risos). E a Tv paga é tão repetitiva que se você perder uma programação terá no minímo 20 outras chances de rever. Gosto de alguns programas do Discovery e na aberta curto o Agora é tarde, quando consigo ficar acordado, porque é realmente tarde! Mas não existe nada pior do que João Kléber e todos esses programas armados. Já mandei alguns gogo boys para participarem.
V: E quanto aos gays retratados na tv?  Se incomoda com o mesmo esteriótipo do “gay afetado”?
MC: Estava comentando isso com minha irmã no último almoço de domingo: na tv, gay, ou é afetado (Serginho-BBB, Crô -Fina Estampa) ou é o capeta (Félix- Amor à Vida). E é essa imagem que é vendida ao grande público. Ainda não vi mostrarem um gay sem ataques e chiliques.
Mais um pouquinho do Marquinhos.
Filme que indico: Albert Nobbs (com a atriz Gleen Close interpretando um mordomo).
Livro de cabeceira: Éramos Seis de Maria José Dupré (1943). Há julgar pelo filme e livro, pareço antiga, mas é engano viu (risos).
Cidade perfeita: Curitiba, linda cidade e com belos garotos.
Um homem gostoso: Chris Evans .
Um homem bonito: Lucas Malvacini.
Ser gay é: chegar em um boteco e pedir um guardanapo para envolver a latinha de cerveja.
Balada que adora: prefiro fazer uma baladinha particular naqueles motéis que tem pista de dança. (risos).
Comida que não rejeito: Bife à Parmegiana. O que servem no “Largo de Sta Cecília” é o melhor (risos).
Um defeito que vou mudar: sou muito franco.
Uma qualidade única: perspicácia.
Fantasia sexual: transa a cinco.
Fantasia já realizada: transar com gêmeos idênticos (foi chato era tudo igual, risos)
O Brasil é…: Uma “criança linda que não tem educação”
Personalidade gay: Ian Mckellen, o Gandalf de “O Senhor dos Anéis”. Ele é um exemplo para a comunidade gay, pois foi eleito o homossexual mais influente do Reino Unido, segundo pesquisa feita pelo jornal The Independent. Além de defender publicamente nossos direitos.

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