UMA FESTA REGADA A SEXO E COCAÍNA

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Um dia fui convidado para uma festa. O convite – somente para os “descolados” – já vinha com um cardápio diferenciado: vários tipos bebidas (as drogas lícitas), cocaína, bala, doce…  A bomboniere que todo “descolado” quer ter pra sim. O sexo já estava implícito, afinal um monte de gente chapada, ao redor de uma piscina, não irá recitar um poema, não é?

 

Fui porque estava interessado no meu anfitrião. Havia uma espécie de tensão sexual entre nós e, nem o fato dele se posicionar com um grande comedor de xoxotas, deixava as coisas mais brandas. Fui porque sabia que ele era um dos cheiradores descolados. Eu acreditava que a sua heterossexualidade seria complacente pelo prazer do pó branco. Fui porque naquela altura da vida eu ainda me colocava em risco por alguém, por uma fantasia. Fui porque provavelmente minha a autoestima e amor próprio estavam escorregando em alguma lama podre e eu ainda não percebia. 

 

Entrei em uma festa típica de filme americano adolescente. Uns caras babacas de um lado, umas garotas putas do outro e outras querendo parecer putas mas que não passavam de caricaturas patéticas. Essas foram as primeiras usadas como depósitos de porra, amaciadas com bebidas adulteradas e com drogas que não se pareciam em nada com os placebos de filmes como American Pie. As putas de verdade também treparam mas como escolheram com cautela se transformaram nas rainhas que a vida real não permita.

Em um certo momento, completamente sóbrio, imaginei como uma orgia daquelas não era descoberta e desmantelada. Depois entendi que estávamos totalmente seguros porque um dos convidados era um agente da lei que não valia nada.

 

Fingi estar bêbado quando o meu anfitrião me ofereceu o que eu quisesse: boa farinha ou a droga do amor. Seu pinto, no entanto, era o que eu queria mas não o veria tão cedo. Não que ele não quisesse. A cocaína parecia ter deixado a sua sexualidade bem mais flexível; no fundo uma desculpa para os quem não conhecem a própria sexualidade.

Nesse momento minha dignidade me empurrou para fora dali. Entre gemidos, vômito no chão e pessoas desacordadas pelos cantos procurei a saída. Sem despedidas, sem desculpas, sem olhar pra trás. 

 

Meu anfitrião, próximo ao portão, beijava um cara feio e uma menina que não devia ter mais que 16 anos. Não me viu. Na verdade, ele não me viu nunca mais. Mas lembro muito dele porque me ajudou a entender que há limites para as nossas vontades. Em qualquer parâmetro da vida. O limite é pessoal, mas não adianta jogar fora as suas verdades, se arriscar, se humilhar por qualquer pessoa, por um carinho falso, por uma gozada qualquer.

 

No dia seguinte, após algumas horas de tristeza, senti uma confiança que poucas vezes senti na vida.

Caminho assim desde então.

 

7 thoughts on “UMA FESTA REGADA A SEXO E COCAÍNA

  1. definitivamente vc deve ser de um clã diferenciado…. porque nao acho possivel nao perder a pouca dignidade que resta num gay … em SP…. juro… nao acredito que nunca usou nada…. acho pouco provavel … mas

  2. Héteros de telão é que mais vejo, ontem mesmo vi um, num local de pegação, entrou, foi para um canto, fez o que tinha que fazer e foi embora, é impressionante como as coisas são, eles enganam a todos, menos a um gay!

  3. Ótimo relato Pietro, saiu da situação por cima. As vezes me pego com esses pensamentos, até que quando eu vou tolerar certas coisas, observo dois caras trocarem de roupa do meu trabalho, sei que eles curtem serem desejados, mas não avançam, não falam nada, até quando eu vou perder meu tempo, servindo de platéia para as trocadas de roupas deles? Os exemplos são bem diferentes, mas sempre cedemos de vez em quando na esperança de nosso anfitrião nos notar e nos dar o devido valor!

  4. Melhor Relato até agora. Penso igual a vc, nesse sentido. Que bom que a sua ficha caiu antes de fazer uma besteira e vc soube sair daquela situação. E esse hétero de telão, hein ? kkkkk as drogas entram e a verdade sai sem esforço.

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