R., O PROMOTOR

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

2009.

R. tinha um ritual mensal que seguia religiosamente. Quando o pagamento – um gordo pagamento – caía em sua conta, R$ 500,00 eram separados para o seu deleite secreto. R. era casado, tinha 2 filhos com a atual esposa e um terceiro, fruto de uma foda única com “uma mulher de todos”. Erro de adolescente, dizia para todos os conhecidos. O promotor de justiça não tinha a menor intenção de sair do armário porque não se considerava gay, tão pouco bissexual. Gostava de ser penetrado, por qualquer coisa maior do que 20cm, mas sabia que a esposa “quadrada” não entenderia a sua peculiaridade sexual. Óbvio, mentia para si mesmo. Sentia sim, muito prazer ao estar na cama com outros homens. Preferia os bem jovens, atléticos e masculinos. Os R$ 500,00 eram gastos em uma única tarde. R. chegava à sauna às 16 horas. Não barganhava com os garotos porque tinha pressa. Precisava estar em casa por volta das 20 para cumprir o papel de pai zeloso e esposo apaixonado. 

 

Num dia qualquer reparou em um cara jovem que não estava ali para ganhar dinheiro. Conversaram, observaram os prostitutos, alisaram alguns e chuparam outros. O frequentador juvenil entendia aquele lugar como poucos. Decidiram foder a três. Escolheram um moreno forte de pau e lábios grossos. R. já havia gozado duas vezes. Preferiu assistir ao sexo forte dos garotões. Pela primeira vez sentiu inveja da juventude alheia. Pietro, o novo amigo, tinha o vigor dos 24 e a maturidade dos seus 52 anos. As estocadas que levava no rabo deixavam o putinho com mais vontade. R., por outro lado, já sentia o cansaço do meio século vivido. Quando gozava na sauna tinha pouca disposição para comer a esposa que, apesar de pudica, exigia ser penetrada diariamente.

 

Pietro e o morenão terminaram o sexo com um gozo exagerado. O michê já era esperado pelo próximo cliente e não fez a menor cerimônia ao pedir o cachê. Abandonou o quarto deixando os dois clientes em estados opostos. Pietro ainda arfava, empinando o rabo como se esperasse por uma nova rodada. O promotor segurava o pau murcho sem entender o que acontecera. Não entendia porque se entendia estranho. Se despediu do novo amigo agradecendo pela nova visão do sexo clandestino. Sabia que depois daquele dia nunca mais seria o mesmo. Pietro era depravado, quase sujo mas sentia que ser assim era uma dádiva. O promotor, no entanto, sempre sentiu um desconforto, uma culpa, sempre que cruzava a “porta do pecado”.

Não sabia o que fazer o que fazer? Talvez chorasse sozinho, talvez nunca mais aparecesse por ali. Acenou para Pietro antes de partir. O garoto já armava o próximo bote.

 

2017.

Hoje, acredite se quiser, eu vi o promotor… 

 

10 thoughts on “R., O PROMOTOR

  1. ancioso pela part2 curti d+ o texto Pietro e gostei dos comments também

  2. Pietro, gosto de seus posts assim, seu jeito de contar, tô ancioso pelo continue

    Curti os comments, o blog é de putaria mais é bem legal ver gays mais cabeça no lugar

  3. curti o causo Pietro gosto muito quando tu compartilha com a gente!!

    curti também os comments dos leitores por serem bem realistas e objetivos é bom ler comments de gente consciente e letrada

  4. eu não entendi a história quem comeu quem? os garotos de pg se atenderam, mas eles não são so ativos?

  5. Shy, tbm acho que todos os héteros deveriam ler esse post.
    Sim, os gays nos armários são maiores que a maior torcida de futebol do mundo!
    Sim, a homofobia é inveja, vc chamar um gay de enrustido de viado, ele quase pira, vc chamar um gay assumido de viado, é chover no molhado, não afeta, não abala em nada.
    Sobre estabilidade no meio hétero, acho que se dá, pq as pessoas tem que viver conforme as regras ditas como padrão: Um homem, uma mulher, filhos, animais de estimação. Já os gays, que são assumidos, não seguem essa regra, tentam ser felizes, e se um namoro ou casamento não o deixa feliz, e cai fora, parte para a outra, não temos tempo para sermos infelizes.
    Eu por exemplo não tolero muitas coisas, claro que isso tem um preço, mas namorar para ser chifrado ou ter que dividir meu namorado/marido num sexo a 3 ou mais para não perde-lo eu não aceito, não obrigado!

    Pietro, e ele te viu, te reconheceu?

  6. Por aí há muitas e muitas e muitas histórias que seguem essa linha dos héteros mergulhados na interminável luta pela sua não aceitação enquanto seguem uma clandestina rotina viciante p/ saciar seu apetite não hétero.

    Realmente o mundo é pequeno e mais dia ou menos dia topamos novamente c/ aqueles que seguem os mesmos vícios ou hábitos ou desejos.

  7. O post que todo hétero deveria ler hahaha acho que muito da homofobia se dá pelo medo de se descobrir homossexual e tmb pelo visão de que o público LGBT é pequeno, é uma “minoria”. O perfil acima citado (másculo, casado com mulher, pai de 3 filhos, trabalhador, possivelmente HIV-) também é gay, mesmo não sendo assumido e (quase) acima de qualquer suspeita. Se as pessoas soubessem que tem mais gays dentro do armário do que fora dele, acho que eles entenderiam que não é uma aberração, é algo natural. Minha mãe diz que hoje em dia está uma “epidemia” de gays kkkkkkk sabe de nada, inocente. Acredito que a homofobia seja um pouco de inveja, porque um homem hétero nunca vai ser dominado e terá a qualidade e liberdade sexual que um homem gay, mesmo sendo oprimido, consegue ter durante toda a sua vida. No entanto, a estabilidade num relacionamento hétero é bem maior do que em relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. É fato. Os caras só querem saber de trepar e tchau!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *