A QUENGA E A FEBEM

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Não lembro o dia exato, mas estava calor. Muito calor por sinal, e eu odeio. O tal juizado era no Brás e, naquela época, os arredores do bairro eram semelhantes à alguma cidade fantasma de filme trash.

 

Minha mãe e eu esperamos por horas, em um calor infernal; como já citado; com todo o tipo de pessoa que se podia imaginar. Os pingos de suor da senhora obesa respingavam em mim, cada vez que ela lambuzava o lenço seboso pelo rosto e pelo pescoço.

 

 

De repente eles vieram. Seis ou sete, a maioria negros e mulatos, uniformizados e acorrentados em fila indiana. Não eram bonitos, mas tinham portes atléticos. Quase todos sisudos, porém, um deles chorava muito ao lado da mãe. A obesa suada.

 

A minha mãe, que até então achava que iríamos apenas assinar alguns papeis, se desesperou com a cena e caiu em prantos também. Deixei que ela chorasse um pouco porque sempre fui o filho número dois. Além disso, eu estava tranquilo. Sabia não teria o mesmo destino daqueles coitados, mas por alguns minutos desejei seguir com eles.

O que fariam comigo? Me bateriam? Me estuprariam? Eu seria “a mocinha” daqueles delinquentes juvenis? Juro, pirei naquele momento. Alucinei de verdade. Corri para o banheiro e me masturbei.

 

 

 

O ano era 1999. Eu tinha 13 anos.

Naquele tempo, o pavor de todo adolescente era ser trancafiado na FEBEM (hoje, Fundação Casa). Eram tantas lendas urbanas sobre as barbáries daquele lugar que, só era pego, que realmente cometesse algo “imperdoável” ou fosse um amador no crime. Um ano antes, um vizinho gostosinho quis “brincar” de ladrão de bicicleta. Acabou passando uns meses por lá. Boatos diziam que ele foi currado por quem quis no pavilhão.

Me imaginava na mesma posição. Sendo a putinha dos marginais, a humilhada, a bandida solta na vida. Mas, nunca temi a possibilidade de ser apreendido. Eu levava uma vida correta até demais para um adolescente cheio de hormônios. Meus pecados eram os fliperamas; com moedas furtadas da mamãe; e uma briga ou outra, para honrar a minha homossexualidade.

 

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Tudo começou com uma briga de vizinhos, ocorrida um mês antes do meu “banho” com os fluidos da obesa suada.

 

Uma vizinha; vou chamá-la de Quenga*; nunca gostou de mim por eu ser gay. E eu, nunca gostei dela pela a sua nítida falta de higiene. Era cada um na sua, cada um desejando que o outro quebrasse a perna, por exemplo.

 

Certo dia, Quenga* cismou que eu estava espionando o apartamento dela e me humilhou. Mamãe tomou as dores e foi tirar satisfações com a Quenga*. Mamãe a venceu no argumento, mas Quenga* não se conteve e quis partir para a agressão física.

 

Peraí?

BATER EM MAMÃE?  NA MINHA FRENTE?!

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Uma vassoura surgiu, DO NADA, nas minhas mãos e foi parar na cara da Quenga*, que ficou mais ou menos assim…

 

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Daí começou um “enxame de abelhas”. Quenga* tinha uns 27 irmãos, todos enfiados em um apartamento minúsculo. Eu, tinha  apenas alguns parentes, que salvaram o meu rosto e a minha pele.

 

E assim foi: Quenga*, e sua família, tinham um histórico de visitas à delegacia, e sabiam todo o processo pra tentar me ferrar. Nem a ajuda de um primo policial, que conhecia o delegado, me livrou do processo. Pelo menos, eu estava bem vestido e ela perecia ter sido atropelado por um trator. Ponto pra mim!!

 

 

E, voltamos ao começo do post.

Depois que os bandidinhos foram levados, depois que a minha mãe estava desidratada de tanto chorar, fui chamado pelo juiz. E tive que ouvir meia hora de sermões, com as “minhas asas de anjo recém-conjuradas”. Quase dormi ali.

 

Tive que prometer ao velhote ser um bom menino até completar 18 anos e blá, blá, blá…

“Ok, senhor juiz! Serei a pureza em pessoa. Acredite!”

 

 

Quenga*, e sua família de marginais,  não se conformaram com a minha “vitória” e o meu beijinho no ombro. Todo dia, algum irmão maloqueiro tentava me intimidar. Como notavam o meu desprezo, provavelmente partiria para algo mais grave. Espancamentos, drogas plantadas na minha casas, ou algo do tipo.

 

 

Mamãe, medrosa e chorona, quis proteger o filhinho. Tínhamos uma boa relação naquele tempo.  

Um mês depois, já morávamos em outro lugar. Nem liguei, pois sempre quis morar em uma casa.

 

 

Mas, o que me intriga é o fato de eu ser estranho. Sexualmente falando. Imaginar a possibilidade de perder a liberdade, por sexo com delinquentes, comprova o quão devasso eu sou.

 

Mais estranho ainda é o fato de eu adorar ser assim!

 

Pietro Damasceno

7 Comments

  1. Como sempre, abordando temas interessantes meu caro Pietro. Não nego que já tive essa curiosidade também, de saber esse lado “sexual” das cadeias, ainda mais num lugar como a Febem/Fundação Casa.

  2. Ela ainda mora no mesmo lugar, com a mesma vida medíocre. Até pensei em dar um chacolhão nela, mas não quero sujar minhas mãos com bosta.
    Beijo!

  3. Depois você teve alguma notícia de Quenga e sua trupe lamaçal ?

  4. Kkkkkkk………..Seus relatos são muito bons, você consegue escrever de uma forma que faz a gente imaginar a situação, eu ri a vontade, muito bom mesmo!

  5. kkkkkkkkkkkkkkkk aposto que vc ficou imaginando vc dentro de uma roda.. cheio de cafuso de rola preta e dura de fora.. e vc chupando um por um!!!

  6. Só um dado de REALIDADE, os delinquente nas FEBENS e CASA’s não são os porno star que vemos nos filmes. Recomenda-se cautela.

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