PARADA – UM COMENTÁRIO

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Doze anos se passaram desde à minha primeira Parada. Acabará de sair do casulo e tudo para mim era uma festa. Não queria saber de militância, não sabia o que era militância. A sensação de “ser gay” fora de uma boate era o que me fascinava. Foi um dos dias mais felizes da minha vida e, infelizmente, os detalhes estão abandonando a minha memória pouco a pouco.

 

A Parada daquela época não é a mesma de hoje, nem em animação, nem em militância. Algo foi se perdendo no decorrer do tempo. Uns culpam a falta de patrocínio, outros culpam os ONGs, e outros não culpam ninguém. É um efeito natural, já que hoje não existe tanta insegurança e preconceito. O gay não precisa de um evento anual para ser livre.

 

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Acho que a Parada começou a mudar quando as boates e sites gays foram “proibidos” de incluírem seus trios. Eram eles que davam a animação, o luxo e até um certo glamour. E havia sim militância, mesmo com festa. Você imaginaria 40 anos atrás que, milhões de homossexuais dançariam, beijariam, na avenida mais importante de São Paulo? Isso não é militar?

 

 

Esse ano, o atrativo foi a presença do elenco da série Sense8. As gravações de episódios para a 2° temporada teve direito a muitos beijos no trio mais animado e colorido do evento. Eu, como fã da série, fiquei feliz em ver os atores de perto, mas não segui ninguém. Preferi ficar com as minhas latinhas de cerveja, encostado na grade de proteção e provocando o ambulante gostosinho, que parecia gostar do assédio. Que não quer ter o seu ego inflado?

 

 

O público da Parada vem caindo. Esse ano os números indicaram 190 mil participantes, muito longe dos milhões de antigamente. Mas, sempre houve exagero de ambas as partes. Sim, o público foi menor, mas essa estimativa não bate. A Polícia Militar precisar reciclar o seu método de contagem.

 

De certa maneira, menos pessoas significou menos curiosos e arruaceiros. Me senti realmente dentro de um evento da comunidade. Uma sensação inédita.

 

Agora é esperar pelo ano que vem. Com menos cerveja e mais boys, de preferência.

Pietro Damasceno

11 Comments

  1. Olah!! 🙂
    Aos 13 anos q entendi q era gay mesmo e isso ñ ia mudar ñ e vivo no armário nesses 3 últimos anos.

    Vou esperar sim, vou me cuidar, seguirei na proteção do armário, terei paciência pq dias melhores virão, tem q vir.

    Ñ eh possível q minha vida vai ser sempre assim, vai chegar o meu dia em q poderei ser independente, sair e ser livre s/ medos, ser eu de verdade.

    Obrigado por receber o meu desabafo. 🙂

  2. Olá amigos desconhecidos… porque parece que os conheço. São tantas possibilidades de ver o tema. Como evento para a cidade, sem dúvida um sucesso. Hotéis, bares, puteiros… Efeitos na mudança de comportamento da sociedade ou de nós mesmos perante tudo que passamos/sofremos…. não sei. Fui a 3 paradas e vi (ou penso ter visto) ascensão, glória e queda. São muitos e variados os interesses no evento. E muitos de “nós” não queremos mesmo nos misturar ao “povo” que agora vai à parada. Foi realmente uma plataforma de lançamento de São Paulo para o mundo, e o feeling de quem soube transformar isso em projeção e $$$. Tb creio que a saída das empresas de divertimentos adultos mudou o perfil do evento. Como o carnaval do Rio. Há até quem frequente, mas “não se mistura”. Todo o mundo gay está em mudança tb, os clubs de Londres fechando. Gays encaretando e outros “fervendo’ como se nada tivesse acontecendo. Não acredito mais numa união de causa(S) como Stonewall (69)! nem naquela parada cafona e chata de NY! queremos mesmo reinventar as nossas paradas? Até o ano que vem.

  3. Oi querido! Obrigado por escrever!
    Sua situação é realmente complicada. Eu sei que aos 16 anos temos uma ansiedade por viver, uma pressa e muito medo também, porém aconselho você a esperar. Não somente por questões financeiras. Muitos gays precisam estar preparados para perder a convivência familiar por um tempo, talvez para sempre.

    Sugiro que vc desabafe com uma pessoa real. Uma amiga, amigo, alguém de confiança. Se não tiver, escreva.

    E pense: vc nasceu em uma época de mais tolerância. Já é meio caminho andado.

    Abração!

  4. Os organizadores da parada vem optando nos últimos por um evento mais voltado para a população LGBT. E o que isso significa ? Na prática um evento mais modesto em termos de recurso e estrutura, fazendo com que se afaste festeiros, baderneiros, agressores e afins, e que venha de fato pro evento aqueles a quem se exalta o orgulho, o LGBT. Esse ano foi a comprovação que esse objetivo perseguido a alguns anos enfim foi alcançado. Discordo de algumas ações tomadas pela organização em termos de proibições a recursos vultuosos de patrocínio, a não-presença de trios elétricos de boates e sites pornográficos, e outras questões, entretanto é de se reconhecer que a Parada já está incorporada no calendário da cidade e que virou um evento rotineiro. E essa notícia é excelente. Vida longa a Parada.

  5. Não, o que piorou foi sim a inserção de “T”; lamento as dores, mas a luta de transexuais não são a mesma que a de gays e lésbicas. Os próprios transexuais se identificam como héteros. Já se percebe o buraco que gays se meteram e os retrocessos nos direitos gays no hemisfério norte pois puxaram a militância gay numa briga transexual que não tem nada haver com eles. Por mim virava LGB; nós gays já somos “cisnormativo opressores” segundo a associação de transexuais do Reino Unido.

  6. Olah Pietro Damasceno!! 🙂
    Conheci o Volúpia no final do ano passado, tenho gostado daki, eh positivo ateh informativo e de certa forma ñ me sinto tão solitário ao ver outros gays comentando.

    Tenho soh 16 anos, sou o q alguns chamariam de gay bobo novinho, inexperiente sobre a vida gay e sobre a vida, um pouco romântico em alguns devaneios sobre relacionamentos e ninguém sabe q sou gay.

    Sei q ñ devia estar aki por soh ter 16 anos, peço desculpas por vir aki e falar minha idade, conheço poucos blogs e sites p/ buscar informações sobre como eh ser gay e o q de certo modo me espera no futuro.

    Um pouco de erotismo e pornô ñ me fará tão mal, tudo isso fará parte da minha vida em algum momento, acho q posso fantasiar e me aliviar um pouco da pressão e do medo q eh a minha vida.

    Sou um gay jovem e assustado, quase em pânico c/ algumas coisas na minha vida e eh mto bom ter algum contato c/ relatos e histórias de gays mais vividos e me ajuda a ñ me sentir tão triste, perdido e solitário.

    Raramente tenho chance de ser gay, nas poucas vezes q pude ser, foram selinhos, alguns beijos bobos, foram beijos escondidos em festas q fui em outra cidade onde ninguém me conhece.

    Li um pouco sobre a Parada, nossa jah são 20 anos, mais tempo q tenho de vida, fico feliz q digam q hoje eh mais fácil ou menos difícil ser gay, ser lgbt, o mundo estah menos cruel ou um pouco menos intolerante.

    Vivo trancado no armário e c/ mto medo pois minha família eh mto religiosa, sou obrigado a frequentar a igreja mas ñ gosto e ñ concordo c/ mta coisa q sou obrigado a escutar calado.

    Eh mto ruim viver assim, ouvir barbaridades e atrocidades contra os gays, contra os lgbt e ter q ficar mudo, ter q fingir ateh q concordo, eh mto ruim e me sinto cada vez mais triste c/ tudo isso.

    Eh triste falar assim mas eh pura verdade, minha família eh homofóbica e mto religiosa, eu vivo triste e c/ medo deles por ser gay, vivo em pânico me controlando p/ ñ falar, ñ opinar algo q levante suspeita.

    Ninguém sabe mas sofro mto em silêncio, me machuca mto, me dói demais, me magoa mto ouvir eles entoando discursos homofóbicos, na visão deles sou pecador, devo arder no inferno, sou uma aberração, sou um pedófilo, sou contra a natureza divina, poxa vida eu ñ sou nada disso, eu ñ sou um monstro.

    Outra coisa mto ruim q acontece eh ouvir eles elogiando políticos como o pastor Everaldo, família Bolsonaro, pastor Feliciano q sei q são políticos homofóbicos e isso tah mto errado.

    Eu ñ virei gay, eu ñ pedi, eu nasci gay, sou um pecador, sou um criminoso soh por ter nascido, tah tudo errado isso, esse pensamento tah todo errado mas eu ñ posso fazer nada, tenho mto medo do q pode me acontecer se souberem q sou gay.

    Vi uma entrevista da Nany People em q aconselha q todo lgbt antes de tomar qualquer atitude de se mostrar, de sair do armário, por precaução eh melhor ter um emprego primeiro p/ q possa se sustentar se o pior acontecer, a família ñ te aceitar e te botar p/ fora de casa.

    Vc também diz isso, lembro de jah ter lido vc comentar em outros posts sobre buscar independência primeiro e soh depois sair da proteção e segurança do armário.

    Tenho mto medo q isso aconteça comigo, virar um jovem sem teto, tenho aguentado mto tempo mas ñ consigo emprego, ninguém quer dar emprego p/ um jovem s/ experiência no meio dessa crise q tah o nosso pais.

    Ñ se sinta na obrigação de publicar ou de responder esse meu comentário, pode parecer mas ñ eh um pedido desesperado de ajuda, eh soh mesmo mais um desabafo q preciso fazer, q preciso falar em algum lugar.

    Ñ tenho ninguém p/conversar, ninguém do meu convívio jamais pode saber q sou gay, aki no blog sei q posso desabafar em paz, estarei entre iguais, ninguém aki vai me julgar por ser gay, assim ñ me sinto tão sozinho p/ poder me soltar e falar da minha história. 🙂

  7. Sabe qual foi a melhor coisa que aconteceu nos últimos tempos? Foi a substituição da sigla GLS por LGBT. Sim, tiraram o S de simpatizante, pois na verdade, simpatizante não existe. O que existe é gente oportunista e aproveitadores. Sabe aquela amiga hétero que adora frequentar baladas gays mas de olho no seu boy?

  8. A verdade, caro Pietro, é que os homossexuais não estão mais desejando frequentar guetos ou se esconder do grande público. Querem, sim, “Pôr a cara no sol”. Mas não numa parada gay. Mas em locais que todos frequentem. Héteros, senhores, senhoras, crianças, e mostrar que gay não é coisa de outro mundo. Isso é um fenômeno mundial.

  9. Te vi por lá Pietro. Fiquei com vontade de comer.

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