MINHA MÃO NA SUA… MÃO

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Semana passada eu estava no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, e não pude deixar de notar: as bichas estão corajosas. Mesmo dentro de guetos, hoje mais finos, elas realmente assumiram; e fazem questão de andar de mãos dadas com os seus eleitos. Doa a quem doer. Quem não gostar que vire a cara.

Acho super importante, mesmo sabendo que no bairro elas ainda engrossam a voz e tratam o boy como um amigo qualquer. Mas, tudo bem, uma coisa de cada vez.

 

Eu nunca tive essa necessidade de andar preso ao macho. Não por medo de olhares ou agressões. Já andei de braços dados com um amigo que virou travesti; deixava o shopping inteiro chocado. Mesmo se eu fosse hétero, não teria paciência para suar a minha mão por horas e horas, segurando alguém como se estivesse levando o dog pra passear. É questão de gosto mesmo. Não preciso segurar a mão e trocar fluidos bucais na frente dos outros pra de fato “namorar”. É uma frescurinha pessoal, dane-se.

Às vezes, quando estou no shopping, reparo em algum casal que acabou de encher a barriga no Mc’Donalds. Ficam trocando restos de comida entre si com beijos nauseantes. Na boa, acho nojento. Porém, cada um no seu quadrado. Respeito a porcaria alheia e a pegação que não pode esperar.

 

Voltando ao dia do Conjunto Nacional, contei seis casais gays em pouco mais de 10 minutos. Um avanço, sem dúvida. Penso nas bichas do passado, que morreram sem essa chance, e penso nas bichas que nem nasceram, que poderão casar na igreja se quiserem. É a evolução meu amor. Aceite!

 

Eu sou da geração que ainda era agredida com lâmpadas no rosto, ali mesmo na Paulista. Eu fui agredido. Os caras se foderam, óbvio, porque eu nunca fiz o papel de afeminada indefesa. Foi até gostoso vê-los fichados na delegacia e depois amedrontá-los por dias. Garanto, eles não importunariam o gay mais afeminado da cidade depois que “terminei” com eles.  

Infelizmente para eles o meu senso de justiça não conhece limites.

Fui um mestre.

Sem falsa modéstia.

Boa noite!

 

Pietro Damasceno

10 Comments

  1. Uma vez tentaram agredir eu e meu ex namorado na Paulista, mostrei meus anos de boxe e desloquei o maxilar de um deles na porrada. E ah, os dois que tentaram também foram fichados na delegacia hahahaha. Mas falando agora sobre relacionamentos, acho bonito, um ato de amor e coragem, mas eu não tenho mais saco pra isso, me incomoda.

  2. A minha geração pegou o momento da transição. Vivemos em um ambiente de liberdade. Não de mais. Porque nem liberdade se tinha. Conquistamos liberdade. Pequena ainda? Sim. Mas a conquistamos. E conquistamos por causa de outros que vieram antes e lutaram para que gays pudessem viver com o mínimo de dignidade possível. Meu mais que respeito, meu silêncio, a esses que vieram antes e lutaram e que por causa dessa luta muitos perderam suas vidas. Quando paro para pensar na história de nossa população/comunidade, me vem à mente pessoas como Alan Turing, Harvey Milk, e outros. E paro e penso, como estará a vida para gays daqui a cem, duzentos anos? Imagino que estará boa. Muito boa. E espero e quero que sim. Quem dera que Turing, Milk e outros milhões pudessem ter desfrutado dessa liberdade que hoje vivemos.

  3. Só andei de braços cruzados com um amigo uma vez, justamente na Av Paulista, não temos nada um com o outro, mas foi bom aquele momento, estar com o braço entrelaçado ao dele e ninguém parando para prestar atenção ou fazendo piadas. E quando vou para lá, vejo gays aos montes fazendo o que tem vontade. Adorei seu texto.

  4. Meio simples: descubra o endereço, chame uns carinhas, converse, diga que vai conversar com um certo alguém que ele goste. É por aí…

  5. É por textos como este,além da putaria. Claro! Que vale a pena vir aqui todos os dias.

  6. Adoro suas reflexões, seu humor e sua sinceridade!

    Falou tudo ao dizer que a realidade no cj. Nacional é bem diferente da de outros locais daqui, em que o boy se torna um amigo qualquer, e engrossa a voz pra falar com ele haha. É trágica a discrepância que ainda existe, ao mesmo tempo como é zoado o excesso de trocas libidinais em público, seja hétero ou gay. Enfim, eu tenho a impressão de que casais gays em certos centros urbanos vivem por questões de horas uma ilusão de que a homossexualidade é uma coisa livre e socialmente aceita. Geralmente, quando voltam para suas casas, o choque de realidade vem. Mas como voce escreveu, a coragem de enfrentamento é motivo de respeito.

    Beijos

  7. Querido, vamos lá: Afeto é algo que vc gostando ou não, precisa ser respeitado. Aliás, um abraço, um beijo, e mãos dadas em algum ambiente público fazem bem pra alma e até auxiliam na cura de doenças, fora que elevam a auto-estima e exercem visibilidade para casais homoafetivos. Ou respeita de verdade ou não respeita. Esse respeito com nojinho é falácia. E outra: Quem precisa se acostumar com afetividade LGBT são os outros e não os LGBT’s se privarem dos carinhos em seus relacionamentos. LGBT’s já enfrentam discriminação na familia, no trabalho, na escola, na universidade …..e ainda precisam ser privados de um mínimo afeto em um “shopping center” ou parque??? E mais: Guetos são importantes ….mas já está insuportável a necessidade de se formar grupos específicos para encontros públicos?! Não aceita, não respeita ou “não respeita inteiramente”; que não olhe, que não agrida. O medo não pode transpor o amor!

  8. Nossa Pietro, o que você fez com eles? Nos conta por favor. O que fez apra eles ficarem com tanto medo? Deve ser bom esse gostinho de vingança.

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