A POESIA DE LINN DA QUEBRADA

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Em dois dias decorei todo o repertório da Linn da Quebrada. Fiz como punição por ter demorado tanto para descobrir essa artista genial. Fui abduzido pelo “efeito Pabllo Vittar” e vi com desdém mais uma cantora/drag/travesti estourando a bolha do preconceito. Como eu estava enganado. Linn usa a música para apertar a ferida e fazê-la sangrar. Usa o explícito, o sexo, para dar voz às bichas marginalizadas pela própria “comunidade”. Tomba os enrustidos e homofóbicos, cutuca os “discretos fora do meio”, enaltece as travestis e as afeminadas.

Coragem assim tem um preço e Linn parece pagar com resignação. Certamente não será um fenômeno pop como a Pabllo mas, tenho certeza, será lembrada no futuro com parte essencial do movimento.

 

Fiquei louco quando a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) divulgou a lista dos melhores discos de 2017 e colocou a Linn ao lado de nomes como Chico Buarque, Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi.

Que venha 2018.

 

 

 

 

Pietro Damasceno