A INTERVENÇÃO “NA” GAY

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“Nunca diga: dessa água não beberei”.

 

Resolvemos fazer um piquenique. Resolvemos não, Ricky e Lúcio decidiram e eu, voto vencido, fui arrastado com ‘alegria e satisfação’. Fazer um piquenique nesse calor satânico de SP, é quase uma tentativa de suicídio, mas o perigo da desidratação parece completar certas pessoas.

 

Para mantermos a forma, levamos apenas aperitivos, vodka e cigarros. Ricky deveria ficar sóbrio, estava dirigindo, mas Lúcio e eu podíamos brindar com classe, até o álcool acabar com a nossa dignidade.

 

Uma hora depois, Lúcio já estava de conversa com um grupinho de maconheiros que se alienavam mais à frente. Não sei como ele consegue ser tão expansível. Eu via já estava vendo tudo em dobro, inclusive dois “Rickys”. Nesse momento que resolvi falar o que pensava. Qualquer coisa, qualquer mal-estar, jogaria a culpa na vodka.

 

Ricky estava trepando há duas semanas com um michê. Justo ele que abomina “locadores de corpos”. Conheceu o gigolô na “boca do lixo” e em menos de uma hora estavam fodendo por R$ 40,00. O tal boy, era novato na cidade, e tinha aquele jeito de “bofe caipira que nunca andou de Metrô”. Ricky gamou. Transaram mais algumas vezes, até o que michê, apaixonado, se declarou: gostava de estar com ele, queria a sua amizade e fazer amor de vez em quando. 

Ah, vá!

 

Ricky, sabendo do meu vasto histórico e do meu sangue gelado pediu um conselho. Analisei friamente.

Essa história de garoto de programa se apaixonar por cliente é conto de fadas, daqueles bem mal-feitos. Por mais que gostem da pessoa, no fundo, o cara será sempre um cliente. Mais íntimo, mas ainda um cliente. Quando michês realmente “se apaixonam”, geralmente são “conquistados” por alguém possa aposentá-los. Não é o caso de Ricky e nem creio que ele precise disso.

 

Virei o último copo de vodka antes de sugerir que ele fizesse o “teste do boy”. Lúcio continuava papeando com os maconheiros, provavelmente oferecendo a nossa bebida cara em troca de um boquete.

 

Sugeri ao Ricky fazer uma DR em qualquer restaurante ou botequim. Até Mc’ Donalds valia. No momento do pagamento, se o boy não abrisse a carteira, pelo menos para dividir a conta, era tal sentimento era uma roubada. 

 

Dois dias depois, Ricky seguiu as minhas instruções e bingo! O boy forrou o estômago e a carteira ficou no bolso. Nem o couvert o boy pagou

Caso encerrado! Simples e rápido como gozada de adolescente. 

 

Fomos embora do Ibira quando os machos sem camisa se multiplicavam sem parar. Eu estava semi-bêbado. Lúcio se perdeu no mato. Coube a Ricky manter a nossa dignidade como escrevi no início.

 

“Afinal, uma mão lava a outra e as duas lavam um cacete!”

 

Pietro Damasceno

2 Comments

  1. Cada dia mais gosto de vc Pietro. Esse blog é lido e degustado diariamente por mim, hehe. Abração!

  2. Amo teus relatos, você escreve de forma excepcional. Além de eu aprender muita coisa.

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