FAXINEIRO

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Fui bancar o ciclista saudável e me fodi. Caí na ilusão de que a Avenida Paulista, fechada aos domingos, era um paraíso para os amantes do esporte. Me enganei e me irritei. 

 

Decidi sair daquela bagunça pedalando o mais rápido possível. Tão rápido que nem me dei conta do quão longe me afastei. Quando prestei atenção, li a placa e senti um frio na barriga: rua Correia Dias. 

 

Perdi a conta de quantas vezes passei por ali, ansioso e excitado, em busca de luxúria na extinta sauna Paradise.

 

Lá vivi uma fase de auge da minha sexualidade. Lembrei do meu amante “Alemão”, que adorava me esmurrar no banheiro, enquanto eu mamava o pau dele com desespero. Lembrei do “Falso Ativo”, que bancava o machão na sauna, mas na privacidade do quartinho rebolava gostoso nos cacetes das mariconas. Lembrei de todos.

 

E lembrei do “Faxineiro”. Naquele tempo eu fazia a linha “pintosa ao extremo”. Era uma forma de atrair os caras que me interessavam e conseguir sexo rápido. Dava certo. Muitos dos garotos de aluguel que eu peguei na faixa, foram atraídos por essa versão de mim. Com o “Faxineiro” não foi diferente.

 

Na verdade, ele foi um efeito colateral. Eu notava que era observado, mas nunca acreditei que ele tomaria alguma iniciativa. Se encaixava no perfil “hétero-casado-pai de 4 filhos”. Gordinho, mas não feio. Olhos verdes, mas não brilhantes. O cara era um fracassado na vida. 

 

Nesse dia, eu já havia chupado dois paus e estava satisfeito. Ele, limpava um privê recém-usado e me chamou. Estranhei, mas fui. O “Faxineiro” me puxou. Enquanto fechava a porta, apertava com força a minha bunda. Antes que eu pudesse protestar, ele colocou o pau grosso pra fora. Um pau simpático, interessante. Não resisti. Enquanto me alisava, me perdi no verde dos seus olhos. Praticamente um “estupro consentido”. 

Tínhamos cinco minutos, o tempo que ele levaria para organizar o quarto. 

 

Me entreguei. Ele pegou uma camisinha esquecida pelo cliente anterior, encapou o cacete e meteu sem cerimônia. Nada de carícias ou lubrificantes. O “Faxineiro” queria garantir a foda e o emprego.

 

Não senti prazer pelo sexo em si ou por ele, mas sim pelo perigo e a emergência daquela transa. 

 

Para a minha sorte, ele gozou rápido. Finjo que a minha bunda era tão gostosa que ele não aguentou muito tempo. 

 

Saí do privê como uma puta usada. Gostei.

Nunca mais falei com ele. Nos vimos uma vez, nos cumprimentamos, mas do nada ele sumiu.

 

Achei melhor porque não queria repetir a foda, mas não saberia dizer não.

 

Sempre senti pena dos tarados.

 

 

Pietro Damasceno

5 Comments

  1. No melhor estilo: “Sempre dependi da bondade de estranhos”

  2. Gosto de novinhos, me recomenda alguma sauna aqui em SP?

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