INDESTRUTÍVEL: BULLYING E HOMOFOBIA ESCOLAR NO NOVO CLIPE DA PABLLO VITTAR

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

 

Pabllo e equipe foram inteligentes ao escolherem a música Indestrutível como o último single do álbum Vai Passar Mal. Talvez, a forte mensagem contida na letra não geraria tanto impacto e discussões no começo da carreira da drag. Passaria em branco.

No Brasil atual, tão polarizado, tão cheio de ódio, um clipe como Indestrutível incomoda ambos os lados.

Após o lançamento histórias de bullying e homofobia nas escolas estão sendo contadas ao montes, sempre com uma grande carga de sofrimento. Por mais que o tempo passe, que o preconceito diminua, a ferida do passado fica lá esperando ser cutucada; e sangra muito.

Já contei que sofri muito na infância por causa do bullying. Humilhações que começaram por volta dos cincos anos e que diminuíram quando cresci e entrei em uma fase “hétero”. Não lembro de ser agredido mas tenho lembranças nítidas das dores internas do sofrimento daquela época. Colegas não me defendiam, colegas deixavam as máscaras caírem, colegas não me convidavam para certas ocasiões.

 

A homofobia escolar me encontrou só no ensino médio. Foi dolorosa mas curta porque me fechei totalmente. Virei um solitário em uma sala com mais de vinte alunos. Óbvio, isso me prejudicou. Passei a matar aula e até hoje não entendo como fui aprovado. Quer dizer, eu entendo, mas vamos deixar a qualidade das nossas escolas para outra ocasião.

Cada um de nós tem uma história. Algumas mais “light”, outras muito pesadas. Porém, nenhuma delas deve ser ignorada. Elaborar o trauma é o jeito certo de fechar a ferida.