63 HOMENS

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Fiz uma merda meses atrás. Por conta própria diminui meus antidepressivos. Pra quem não sabe, trato a depressão e outros questões há alguns anos. Quase cheguei ao fundo do poço e tive muita dificuldade em aceitar o tratamento medicamentoso e a terapia. Foi o que me salvou, mas por idiotice quis brincar de médico e cortei pela metade a quantidade de comprimidos que eu tomo diariamente. Sempre tive medo de me viciar, sempre tive medo de engordar, sempre tive medo da ineficácia da dosagem e consequentemente o aumento da dosagem.

 

Nas primeiras semanas nada mudou. Fiquei feliz mas esperando pelo pior. De repente comecei a ter crises de ansiedade que afetaram o meu sono e obviamente a minha capacidade produtiva. Mas joguei a culpa no trabalho; exerço uma função extremamente estressante. Em um belo dia percebi que estava com tesão. Não o tesão normal, mas o tesão do Pietro de anos atrás que sentia e via tesão em tudo. Quis me masturbar ao acordar, coisa que raramente faço. Todos os homens pareciam mais interessantes e um simples encontro de corpos dentro do Metrô me deixava completamente arrepiado. A ficha realmente caiu quando percebi que eu estava imaginando como eram os paus de todos os caras no vagão. Imaginava o tamanho, o formato, os pentelhos, pra que lado estariam, tudo. Naquele momento estavam 63 homens de todos os tipos possíveis. Eu chuparia todos se tivesse chance.

 

Senti um misto de alegria e tristeza. Os remédios mudaram a minha personalidade, o meu desejo. Sentir o gosto  bom da depravação plena foi libertador, mas sem eles a minha vida estava seriamente comprometida. A dependência já existe; talvez reversível, talvez não.

 

Tive que entender que a caretice sexual faz parte do processo. 

Tudo pela saúde.

 

No entanto, não sei dizer se estou feliz.

 

 

 

VOCÊ GOSTA DE ESPIAR?

 

14 thoughts on “63 HOMENS

  1. Por quê não tentar uma atividade física como complemento do tratamento? Suar faz super bem ao corpo e à mente, libera a serotonina, dopamina e a neuroadrenalina, os chamados “hormônios do prazer”. Com o tempo a necessidade de uso de medicamentos vai diminuindo. Mas nada de largar os antidepressivos por conta própria. Fica aí a dica. Bjs

  2. Nem me diga Pietro, tbm faço tratamento e resolvi tirar o remédio, engordei por conta da ansiedade, to comendo tudo que vejo pela frente, to super agitado, não adianta, terei que retomar com os remédios, no máximo, tomar dia sim e dia não, mas simplesmente parar com eles não dá!

  3. Esse post foi super deprê – mas totalmente relacionável.

    Também sofro de depressão, é horrível. Quando entrei com a medicação, a cerca de 8 anos atrás, tinha 73 kilos para 1,80, estava ótimo. Quando cheguei ao auge da medicação/internação, fui para 93 kilos. Mas hoje estou voltando aos poucos – ainda estou com 81 kilos.
    Mas acho que o pior de tudo é a sensação de inércia, uma coisa péssima dentro da gente. Aos poucos, fui mudando a medicação alopática por terapias alternativas, como a homepatia, acumpultura, remédios naturais, prática de yoga e outros afins, aliás super indico o 5-HPT, medicamento natural, para todos aqueles que quiserem uma dica para falar com médico – está super sendo usado nos States, era usado como inibidor de apetite (realmente, corta super a vontade de comer), mas descobriram que ele tem função primária como primo da serotonina, um dos maiores problemas dos depressivos, e é feito de uma raiz prima da mandioca. A parte ruim é que não dá para viver só nessa realidade, tem sempre que ter um remédio de suporte, mas garanto que a minha vida melhorou muito desde então – consigo viver uma vida mais “Normal”, sem aqueles picos da depressão que tinha, mas ainda sem tudo de volta. Sou escritor, na época que tinha depressão cheguei a ganhar concursos nacionais de poesia e prosa, mas devido a medicação, não conseguia nem chegar a metade de uma folha. Hoje, devido a queda da medicação, a minha vida está voltando ao normal, e, como dá para ver, já consigo escrever de novo ahahaha. Pensar positivo não ajuda muito – pelo menos para mim não – mas tenho certeza que pensar que você está mais da metade do caminho para uma melhor versão de você mesmo ajuda mais.

  4. Por mais que o tempo passe, qualquer readequação na vida mexe muito e complica bem os velhos hábitos mas fazer modificação em um tratamento é sempre muito perigoso.
    Foi um importante texto. Fico na torcida p/ que fique bem e consiga ter bons momentos.
    E precisando escrever, venha p/ versão digital do seu caderninho e caneta, aqui há pessoas que verdadeiramente querem o seu bem, querido Pietro. 😉

  5. Entendo sua situação. Eu tomo remédio controlado para a ansiedade e tbm já mudei a dosagem para “ver no que dava”. No final, só fiquei com gastrite nervosa kkk. Por isso, não recomendo! Acho que você deve falar esse episódio com o profissional q te acompanha para ver se consegue conciliar sua líbido com o uso do medicamento. E nunca subestime sua saúde mental!
    Se precisar de ajuda, é só falar!

  6. Pietro as vezes parece que somos amigos vc fala sente e pensa muitas coisas igual adoro vc.

  7. Pietro, se vc engordar, não tem problema. Deixe os pelos crescerem e vire “Urso”. Reivente-se. Deveria ser um relato triste, mas confesso que ri na parte do metrô kkk Vc namora ? Se não, já tentou arranjar um namorado (não um GP ou peguete. Namorado mesmo) ? Talvez um homem legal ao seu lado pra dividir os momentos tristes e felizes te ajudaria muito. Sei que vc não é “monogâmico”, mas com um namorado, pelo menos sem sexo vc não ficaria. E quem sabe ele pode até de dar um força com o blog. Os dias em que vc estiver cansado, sem saco nenhum pra escrever, ele posta no seu lugar. Pense nisso!

  8. saio pra andar sem rumo qando bate a deprê… chego em casa, durmo, e acordo baum

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